Museu da Cidade recebe seminário ”Comida patrimonial de matriz africana: o caso do Xangô pernambucano”

A culinária tem um lugar especial dentre os tantos aspectos culturais marcados pela herança africana no Brasil. Ingredientes, processos culinários, cardápios, bem como os rituais de servir e de comer traduzem peculiaridades desse segmento étnico que enriquece nossa mesa. Para explorar essas deliciosas especificidades, o seminário “Comida patrimonial de matriz africana: o caso do Xangô pernambucano” vai reunir chefs, pesquisadores e religiosos no Museu da Cidade do Recife nesta terça-feira (4), a partir das 8h. O evento, que conta com o apoio do MCR, está com inscrições esgotadas.

Com foco no caso dos terreiros de Xangô de Pernambuco, a Mostra terá início com a conferência “Comida, História e Sociedade: Matrizes Africanas e Sistemas Alimentares”, ministrada pelo professor Elmo Alves Silva, docente universitário da UNIFACS Laurante e Babalorixá do Ilê Asé Tolorí Jàgún Ejí Egbé.

A programação segue com quatro mesas temáticas: às 10h, “Comida, Identidade e Direitos Culturais nas Tradições De Matriz Africana”; às 11h, “Acervos Culinários: Um Olhar Da Gastronomia sobre as Comidas de Terreiro”; às 14h30, “Panela De Iemanjá: Festa, Tradição e Comida”; e, por fim, às 16h, será abordado o tema “Axé: Os Rituais De Alimentação”. Entre os participantes, nomes como o do chef de cozinha e estudioso da comida regional, Claudemir Barros, e de Paulo de Oxum, Ilê Asé Oyá Megué, do Nação Xambá. O encerramento fica por conta do coral do Sítio de Pai Adão.

Realizado pela Aurora 21 com incentivo do Funcultura, o evento tem consultoria técnica de Manoel Papai, Babalorixá do Sítio de Pai Adão, e coordenação do antropólogo especialista em antropologia da alimentação Raul Lody. “O Xangô é lugar de preservação de acervos africanos e afro-pernambucanos através da música instrumental e vocal, das danças, das indumentárias, do artesanato, da mitologia, das tradições orais e, em especial, dos sistemas alimentares, que mostram uma ampla e diversa cozinha ritual, integrada na formação dos hábitos alimentares e milhares de pessoas”, comenta o coordenador, lembrando que a valorização das cozinhas africanas é um fenômeno nacional e Pernambuco tem se destacado nesse processo.

XANGÔ – O Xangô Pernambucano é uma religião de matriz africana, que também homenageia o orixá Xangô, Alafin de Oyó, Nigéria, África Ocidental. No Recife, o terreiro Obá Ogunté, popularmente conhecido como “Sítio de Pai Adão”, pela sua importância histórica, social e cultural, foi o primeiro terreiro a ser tombado no Brasil por um governo estadual, que o reconheceu como Patrimônio Cultural de Pernambuco pelo Decreto 10.712/1985. Ainda há outras tradições como Jeje, Angola e o Xambá, que mostram uma diversidade de manifestações sócio-religiosas nas suas cozinhas, com cardápios especiais, todos feitos a partir de uma base e interpretação africana em Pernambuco.

Fonte: Assessoria do evento

By | 2018-09-03T13:40:45+00:00 3 de setembro de 2018|Notícias|0 Comentários

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