O serviço do patrimônio – Airton da Costa Carvalho.

<h2>O serviço do patrimônio</h2>
Airton da Costa Carvalho

O serviço do patrimônio histórico e artístico, criado aos 7 de Novembro de 1937, pelo Decreto-Lei nº 25, veio preencher uma lacuna existente na organização do Estado.

A clarividência do Chefe da Nação confiou a direção do Serviço ao Dr. Rodrigo Melo Franco de Andrade, que seu vem conduzindo com raro espírito de patriotismo, aquinhoando equitativamente a todos os Estados da Federação.

Pernambuco e Paraíba já devem muito á diligência protetora e disciplinadora do SPHAN, realizou trabalhos de conservação no pequeno templo mandado erigir, nos Guararapes, pelo General Francisco Barreto Menezes, quando da sua vitória sôbre o invasor holandês, templo que é um símbolo da nossa unidade nacional.

A Capela das Fronteiras, construída pelo grande patriota negro Henrique Dias, como preito de agradecimento pelas vitórias alcançadas e que estava em ruinas, deve a sua conservação ao SPHAN que impediu, assim, desaparecesse, este monumento tão ligado á história pernambucana.

O Convento de São Francisco, na Paraíba, motivo de orgulho para a arquitetura religiosa no Brasil, estava exigindo grandes e urgentes reparos.
O SPHAN incumbiu-se da realização dos mesmos e os vem executando desde 1940.

Para aquilatar do valor desses trabalhos, basta considerar que toda a talha da Capela da Ordem Terceira está sendo restaurada.

A igreja da Conceição dos Militares, no Recife, foi beneficiada pelo SPHAN, que mandou renovar parte do travejamento do côro; trabalho assaz delicado pois que, no fôrro, está pintado um painel da célebre batalha dos Guararapes, que de nenhum modo podia ser danificado.

Outro monumento de importante feição arquitetônica e de alto valor religioso que requereu os cuidados do SPHAN foi a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Olinda, marco da chegada da Ordem dos Carmelitas em terras brasileiras. Os trabalhos vêm se executando desde 1942.

Por solicitação das Religiosas Doroteias, o SPHAN colaborou nas obras de reparação da Igreja de N. S. da Conceição, em Olinda. Coube ao Serviço do Patrimônio o consêrto da coberta, a limpeza dos magníficos painéis do fôrro e a restauração do pórtico de entrada.

Um monumento que, apesar de não ter grande interesse arquitetônico, faz parte da tradição pernambucana por ter sido o único a escapar ao grande incêndio de Olinda, ateado pelos holandeses, – a igrejinha de São João, – precisava de sérios reparos, os quais estão sendo executados pelo SPHAN.

O Serviço do Patrimônio Histórico não se preocupou, tão somente, com monumentos de arquitetura religiosa. Haja vista o trabalho de restauração realizado no sobradinho sito á rua do Amparo, em Olinda, cuja arquitetura apresenta uma marcada influencia mourisca. Convém salientar, aqui, o espírito de compreensão do Governo do Estado que desapropriou o referido sobrado, facilitando destarte a ação do SPHAN e o incorporou ao patrimônio do Estado um edifício que, sob todos os pontos de vista, merece ser preservado da ação destruidora do tempo, pois que é um marco na evolução arquitetônica do Brasil.

Serviços de menor vulto têm sido efetuados em diversos monumentos. Podemos pontar os reparos feitos no Convento de Santo Antônio, nas Igrejas de São Cosme e Damião e Nossa Senhora do Livramento, em Igarassú, nos quais o SPHAN colaborou com o Estado, e os trabalhos realizados na Igreja do Rosário dos Pretos, na capela da Ordem Terceira de São Francisco, no Recife, e a cooperação prestada aos serviços efetuados na Matriz de São Pedro, em Olinda.

Além desses serviços de conservação, o SPHAN está organizando uma coleção completa de fotografias das obras de arte desta região e procedendo o levantamento sistemático das plantas de todos os monumentos inscritos no seu Livro de Tombo.

Nem se restringe a isso a atividade do SPHAN. O Serviço fiscaliza os edifícios tombados, dá parecer sôbre as obras serem neles realizadas e se esforça por preservá-los dos danos de qualquer natureza.

É o caso da Igreja de São Pedro dos Clérigos, nesta cidade, um dos mais valiosos monumentos de arquitetura religiosa brasileira, em cuja defesa, juntamente com a do SPHAN, levantaram-se uníssonas, todas as vozes da cultura pernambucana.

Todos os meios suasórios foram empregados, no sentido de convencer os proprietários da Sociedade de Moagem do Recife a procurar outro local para a instalação da sua indústria, a fim de salvar o monumento bi-secular dos danos videntes que lhe são causados pela trepidação das máquinas, cuja força motriz atinge aa 450 H.P. e pela fumaça que se desprende das chaminés.
Baldados esforços, foi o SPHAN obrigado a recorre á justiça, propondo uma ação cominatória, no Fôro do Recife, contra a referida Sociedade.

Não fora a ação vigilante do Serviço do Patrimônio, atentado semelhante haveria sido perpetrado contra a Igreja da Conceição dos Militares, quando da permissão concedida para a instalação de uma padaria no prédio que lhe ficava anexo. Na solução dêsse caso, foi de definitiva e valiosíssima importância à elevada compreensão do exmo. Sr. Dr. Novaes Filho, casando a licença concedida.
A realização desses trabalhos representa a eficiência com que o SPHAN se desempenha da missão que lhe incumbe de defender e conservar o Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, além de estar servindo para remover as incompreensões surgidas com a criação do Serviço, que muito interpretavam como sendo uma violação do direito de propriedade ou uma intromissão exagerada do Estado na administração de bens particulares.


As velhas barcaças chegam tangidas pelo nordeste seco que encarneira as águas do porto, de velas cheias, de pano aquartelado, como grandes aves que razassem as águas num vôo baixo. Têm no mês ingênuos, côres vivas, um cheiro forte de alcatrão. “Fé em Deus”, “Estrela Polar”, “Nova Brasileira”. “Alegria de Itapissuma”. Estes são os nomes mais espontâneos, mis naturais. Outras mais modernas – essas que adotam uma roda-de-leme em vez da antiga e pesada cana e têm enxárcia e brandais – tomam títulos mais novos, artificiais. São as “Eunices”, as “Elisabetes”, as “Jacis”. Saem dos estaleiros conhecidos pelas gentes dos pequenos portos do litoral. Estaleiros rivais, cada um se esforçando para aumentar o prestígio, lançndobarcaças mais bonitas, “melhores de vela”.

São êsses barcos, hoje, que, num tráfego contínuo e humilde, ligam os pequenos e tranquilos ancoradouros do litoral com o porto da Capital.

Trazem o côco de Maragogi e o sal de Itamaracá, a palha de Itapissuma, o açúcar de Barreiros. São êsses barcos que no nosso litoral, ainda mantêm o prestígio da vela, povoando o porto – tão cortado de linhas duras e estruturas metálicas – com graça singular de seus cascos coloridos.

By | 2016-12-16T19:09:34+00:00 16 de dezembro de 2016|Cidades|0 Comentários

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